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Território indígena Areões tem pico de queimadas mesmo depois de ação do Ibama e da PF contra fogo

Por Ardilhes Moreira e Carolina Dantas, G1

Areões, território indígena em Mato Grosso, registrou 46 focos de queimadas no sábado (31), segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Especiais (Inpe). O número representa um pico na série feita pelo instituto ao longo do ano e foi verificado três dias depois de uma operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF) para identificar os responsáveis pelo fogo que já tinha destruído 219 mil hectares das áreas protegidas na região.

A operação, que teve início em 28 de agosto, quando o governo proibiu queimadas no Brasil, contabilizou 89 focos de queimadas na área. A captação do Inpe, feita por meio do satélite de referência Aqua, considera leituras realizadas entre quarta-feira (28) e segunda-feira (2), às 13h55.

Neste ano, os focos de queimadas nos territórios indígenas Areões, Areões I e Areões II começaram em 11 de maio. Antes do pico verificado no sábado, a maior medição apontava 20 focos na segunda-feira (26), dois dias antes da operação do Ibama e da PF.

De acordo com o Ibama, na terra indígena vivem cerca de 1.500 índios da etnia xavante. Ela foi o primeiro alvo da operação, batizada de Siriema. Os agentes flagraram movimentação de caminhões e tratores dentro da área, além de árvores cortadas.

Ibama anunciou operações nos territórios indígenas em 28 de agosto. — Foto: Roberta Jaworski/Arte G1

Desde o início da ação, as terras vizinhas Areões I e Areões II apresentaram queda no número de queimadas. Três focos foram detectados pelo Aqua. Entre os dias anteriores, de 22 a 27, havia 18 focos nestes locais, de acordo com os dados do Programa Queimadas, do Inpe.

Analisando os dados, também é possível obter as informações dos nove satélites do sistema do Inpe. Considerando todas as medições feitas por eles, o número é maior: desde o dia 28, seriam 1.470 focos em Aerões.

Este número é mais alto porque os outros satélites podem detectar focos menores e também pode haver duplicidade em alguns pontos. Por isso, o Inpe aconselha que comparações históricas ou entre períodos levem em conta apenas os dados do satélite de referência, o Aqua.

Fogo desde maio

Areões teve as primeiras queimadas do ano em 11 de maio. O Aqua detectou dois focos, os únicos naquele mês.

Agosto responde pela maior quantidade de focos: 179 pontos de calor foram detectados no mês, sendo 145 a partir do dia 15 (81% dos casos). Todos os focos em Areões estão no Cerrado.

Procurada pelo G1 na semana passada, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que aguardava a solicitação do Ibama para a instalação de uma base do Prev Fogo dentro do território.

G1 entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve resposta sobre os desdobramentos das operações na região. Na segunda, sem citar números, o Comando da Operação Verde Brasil disse que focos de queimadas diminuíram.

Recorde de focos de queimadas no ano dentro do território indígena Areões foi registrado após a Polícia Federal e o Ibama terem anunciado operação para identificar responsáveis pelo fogo. — Foto: Juliane Souza/G1

Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas, explica que tanto na Amazônia quanto no Cerrado o fogo é utilizado para a expansão da fronteira agrícola e para a manutenção de áreas já desmatadas.

Mapa da Terra Indígena Areões — Foto: G1

Problemas de saúde

Na semana passada, a coordenadora distrital de Saúde Indígena da etnia xavante Luciene Cândida Gomes afirmou ao G1 que houve aumento do número de casos de doenças respiratórias entre indígenas da região nesse período.

“Antes, tínhamos uma média de 10 a 70 casos por mês, e agora tivemos 1,5 mil atendimentos por mês, em junho e julho, e agosto seguiu da mesma forma. Temos situações que agravaram para pneumonia”, explicou.

Imagem mostra resultado das queimadas na Terra Indígena (TI) Areões, no município de Nova Nazaré (MT) — Foto: Ibama/Divulgação
Na quarta (28), órgãos foram a campo buscar responsáveis pelos focos. No sábado (31), três dias depois, o Inpe detectou o maior número de queimadas no ano no local: 46 focos.
Árvores tinham sido derrubadas — Foto: PF/ Divulgação

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