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Pandemia gera queda recorde de emissões de CO2 de origem fóssil em 2020

As emissões de CO2 de origem fóssil registraram queda recorde de 7% em 2020 por conta das medidas de confinamento aplicadas contra a pandemia da covid-19. Essa é uma das conclusões do balanço anual do GCP (Global Carbon Project) publicado hoje.

O relatório analisa as emissões anuais de CO2 de origem fóssil e sua persistência na atmosfera, responsáveis pelas mudanças climáticas e suas consequências catastróficas. Este relatório é publicado regularmente na COP (Conferência do Clima) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Neste ano, sua publicação ocorre em um contexto particular. A 26ª reunião da COP marcada para Glasgow, na Escócia, foi adiada por um ano. Uma reunião virtual será realizada neste sábado (12) entre vários chefes de Estado para celebrar o quinto aniversário do Acordo de Paris.

Os resultados também são inéditos, com estimativa de queda de 7% nas emissões globais de CO2 fóssil no ano, o equivalente a 2,4 bilhões de toneladas. No auge do lockdown, na primavera do Hemisfério Norte, as emissões chegaram a ter queda de 17% em relação a 2019.

Essa diminuição ainda não havia sido observada nas crises mundiais anteriores (1945, 1981, 1992, 2009). Nesses períodos, as emissões nunca ultrapassaram 900 mil toneladas. A diminuição das emissões em 2020 parece mais evidente nos Estados Unidos (-12%), na União Europeia (-11%) e na Índia (-9%).

A queda foi menor na China (-1,7%), onde as medidas de restrição foram colocadas em prática no início do ano e foram mais limitadas no tempo, explica o comunicado da Global Carbon Project.

No país, as emissões aumentaram 2% em 2018. “Se não houvesse covid-19, esse crescimento provavelmente continuaria”, disse Philippe Ciais, pesquisador do Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais, em uma entrevista coletiva.

Aumento esperado em 2021

Por setor, as reduções nas emissões de CO2 foram maiores no transporte de superfície, que representa 21% das emissões globais. Elas foram “reduzidas pela metade nos países onde houve um lockdown mais rígido”, segundo o comunicado.

As emissões na aviação despencaram 75%, mas representam apenas 2,8% das emissões mundiais, embora não parem de crescer. Na indústria, que corresponde a 22% das emissões mundiais, elas “foram reduzidas em 30% nos países com confinamento mais rígido”.

Por um longo período de tempo, “o crescimento das emissões globais foi de 0,9% ao ano em média entre 2010 e 2019”, depois de 3% ao ano entre 2000 e 2009. Portanto, isso não é suficiente para reduzir o efeito estufa e seus impactos.

Além disso, esse declínio relacionado à crise do coronavírus deve ter vida curta. Na China, “as emissões voltaram ao nível anterior em abril”, lamentou Philippe Ciais. “Pode-se esperar um aumento em 2021”, acrescentou.

“É uma queda temporária. A maneira de mitigar as mudanças climáticas não é interromper as atividades, mas acelerar a transição para a energia de baixo carbono” insiste o pesquisador.

Além disso, a diminuição das emissões de CO2 não leva à redução da concentração de CO2 na atmosfera, observou. “A grande questão é se os investimentos relacionados com a recuperação econômica permitirão um aumento real da energia de baixo carbono e uma redução visível das emissões”, concluiu Ciais.

(Com informações da AFP)

Por UOL

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